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Tamanho de partícula do IFA: identificação química por Raman confocal e TERS

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Tamanho de partícula do IFA: identificação química por Raman confocal e TERS

O que é o IFA e a distribuição de tamanho de partículas

A sigla IFA significa Insumo Farmacêutico Ativo: o princípio ativo, a substância química responsável pelo efeito terapêutico de um medicamento. Em muitas formulações sólidas, como comprimidos e pós, esse princípio ativo se apresenta na forma de pequenos grãos. O tamanho de partícula do IFA refere-se justamente às dimensões físicas individuais desses fragmentos na amostra.

Durante o desenvolvimento e a fabricação — que envolvem etapas como cristalização, secagem e moagem —, o material sofre impactos físicos distintos. Por isso, as partículas de uma mesma amostra não têm necessariamente o mesmo tamanho nem a mesma forma geométrica. Quando o laboratório mede essa variedade de dimensões no conjunto do pó, obtém-se a distribuição de tamanho de partículas da formulação.

Principais pontos: o tamanho de partícula do IFA afeta processamento, mistura e, em alguns casos, a dissolução — mas não é um atributo crítico em todos os medicamentos (USP <429>; ICH Q6A). A microscopia Raman confocal identifica quimicamente onde está o IFA dentro da formulação, complementando — sem substituir — as técnicas tradicionais de granulometria, como a difração a laser. O TERS estende essa análise à escala nanométrica, mas é uma técnica complementar de pesquisa, não um ensaio de rotina para lotes fabricados.

Por que o tamanho físico das partículas importa?

As dimensões do material influenciam diretamente como ele se comporta no processo produtivo. Tamanho, forma e distribuição das partículas podem afetar o escoamento do pó no maquinário, a forma como os componentes se misturam de maneira homogênea entre as doses e a interação do produto com a umidade durante o armazenamento.

No organismo, o tamanho de partícula pode influenciar a velocidade de dissolução do IFA nos fluidos fisiológicos, o que por sua vez afeta a absorção. Ainda assim, segundo o guia ICH Q6A (árvore de decisão nº 3 para especificação de tamanho de partícula), essa relevância deve ser avaliada caso a caso: moléculas muito solúveis ou soluções injetáveis líquidas frequentemente não dependem dessas variações para garantir eficácia, e reduzir demais o tamanho pode até prejudicar o produto, causando aglomeração e perda de fluidez do pó.

Avaliando a identidade química: Raman e Raman confocal

Medir o tamanho físico de uma partícula solta no frasco é muito diferente de identificar quimicamente do que ela é feita. As técnicas convencionais de granulometria, como a difração a laser descrita no capítulo geral <429> da Farmacopeia dos EUA (USP), avaliam as dimensões globais da distribuição de tamanho de partículas — tipicamente entre 0,1 µm e 3 mm — mas não dizem nada sobre a composição química de cada partícula.

A espectroscopia Raman avalia como a luz interage com as ligações moleculares de um material, gerando um espectro que funciona como uma assinatura química da substância. Com um bom processamento de espectros, referências adequadas e poucos interferentes na matriz, essa assinatura pode ser comparada a uma impressão digital do princípio ativo — o mesmo princípio usado, por exemplo, na identificação de formas polimórficas por difração de raios-X.

Quando essa capacidade química se combina à posição espacial de cada ponto investigado e a uma lente de aproximação visual contínua, temos a microscopia Raman confocal. Sua vantagem é diferenciar microscopicamente quais regiões correspondem ao IFA e quais correspondem aos excipientes, os materiais adicionados para dar volume ou estabilidade à formulação.

O mapa químico e o tamanho aparente

Os dados da microscopia confocal se agrupam, na tela do analista, em um mapa químico Raman: um mapa colorido no qual cada cor representa um material diferente, identificado pelo seu espectro. É importante destacar que essas cores são atribuídas apenas durante o tratamento dos resultados no software — não existe qualquer relação com as cores físicas visíveis da amostra real.

Ao visualizar, no mapa, as regiões contornadas que correspondem unicamente ao ativo, o analista pode estimar a superfície coberta e chegar a um parâmetro chamado tamanho aparente — o domínio químico daquela substância na imagem. Um estudo publicado no NIH/PMC que validou o tamanho aparente por Raman contra padrões de microesferas de poliestireno mostra por que é fundamental diferenciar esse tamanho aparente de uma partícula física inteira: o Raman confocal não deve ser interpretado como um produtor automático da distribuição granulométrica completa da formulação, porque as regiões da imagem podem corresponder a diferentes situações:

  • Partículas individuais e isoladas.
  • Aglomerados formados por grãos fortemente unidos, de difícil separação.
  • Partículas parcialmente sobrepostas, que confundem os limites identificados pelo software.
  • Partículas fisicamente cortadas e segmentadas ao meio durante a preparação da amostra para observação confocal.
  • Regiões pequenas demais, de extensão inferior à resolução óptica do sistema de medição.
  • Limites de imagem definidos por critérios matemáticos do processamento computacional, não pela geometria real da partícula.

Raman confocal vs. TERS — comparação rápida

CritérioRaman confocalTERS
Resolução espacial típica~300 nm a 1 µm (limitada pela difração da luz)~10 nm, podendo chegar à escala atômica em condições controladas
O que informaIdentidade química e distribuição espacial (mapa químico / domínio químico)Identidade química de nanoestruturas na superfície, com resolução muito maior
Uso típicoMapear IFA x excipientes em comprimidos e pós; rotina laboratorialPesquisa avançada de superfícies em escala nanométrica; uso complementar
Principal limitaçãoNão substitui a distribuição de tamanho de partículas completa (ex.: difração a laser)Custo elevado, calibração delicada da ponta, não é rotina de controle de qualidade

Tip-Enhanced Raman Spectroscopy (TERS)

O Raman confocal esbarra nos limites físicos da luz para capturar estruturas menores que sua resolução óptica. É nessa escala que entra o TERS — Tip-Enhanced Raman Spectroscopy, ou Espectroscopia Raman Intensificada por Ponta. Uma ponta metálica extremamente fina é posicionada muito próxima ao composto sob a lente, concentrando o efeito óptico e o sinal Raman em uma região muito pequena da superfície.

Segundo revisão publicada no Journal of Chemical Physics, o TERS combina espectroscopia Raman com microscopia de sonda de varredura e pode atingir resolução em torno de 10 nanômetros, chegando à escala atômica em condições controladas — muito além do que o Raman confocal convencional permite. Apesar dessa capacidade em escala nanométrica, o TERS não deve ser interpretado como uma técnica de rotina para medir a distribuição de tamanho de partículas em lotes fabricados.

Isso porque o TERS tem custo elevado e exige calibração delicada da ponta metálica a cada uso, o que dificulta sua aplicação em testes rotineiros e volumosos de controle de qualidade. Por isso, sua relevância deve ser considerada como técnica complementar de pesquisa: os resultados precisam ser interpretados em conjunto com outras observações metrológicas, sem substituir os testes que garantem a segurança regulatória do produto.

Fontes

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IFA
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TERS

Perguntas Frequentes

O que significa IFA em um medicamento?

IFA significa Insumo Farmacêutico Ativo — o componente da formulação também chamado de princípio ativo, responsável pela ação terapêutica que produz o benefício buscado pelo paciente.

O que é o tamanho de partícula do IFA?

É a medição física ligada ao formato e ao volume dos pequenos grãos do princípio ativo dentro de um insumo. Medir essas partículas com precisão ajuda a caracterizar o material sólido antes de sua incorporação em comprimidos ou em outras etapas de processamento.

É necessário combinar Raman com outras análises?

Sim. A microscopia Raman confocal foca na distribuição espacial e na identidade química das estruturas captadas na imagem — o chamado tamanho aparente ou domínio químico. Para obter a distribuição de tamanho de partículas completa de um lote, em três dimensões, normalmente é preciso combiná-la com ensaios dedicados a essa medição, como a difração a laser (USP <429>).

Quais são as limitações do TERS?

O TERS tem custo elevado e não é uma técnica voltada para a rotina da maioria dos laboratórios farmacêuticos. Sua aplicação exige calibração cuidadosa e específica da ponta metálica a cada análise, além de um processamento de dados sensível, limitado a uma região muito estreita da amostra sob a agulha. Essas características tornam inviável seu uso em testes rotineiros e amplos sobre lotes de produção com prazos de entrega curtos.

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